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Produtor e diretor da Lumix, Lion Andreassa, conta para o Portal do Tiro como viabilizou a produção do documentário e quais as expectativas após o lançamento

No dia 9 de Maio, o Portal do Tiro acompanhou o lançamento do documentário DESARMADOS no MIS - Museu da Imagem e do Som, em São Paulo. A sala do cinema lotou e seu resultado final foi surpreendente. Os meses de trabalho duro proporcionaram um documentário sério, com argumentos suficientes para uma análise consciente da importância de nossa legítima defesa.

O documentário aborda a Arma de Fogo como instrumento para tal, e jamais como apologia à violência, como muitos ainda acreditam. A participação de Bene Barbosa, Coronel da PMESP Jairo Paes de Lira, Dr. Antonio C. Pacheco, Instrutor de Tiro Edson Azevedo, entre outros profissionais, foi de um esclarecimento intelectual e factual de muita convicção.

 

Além do conteúdo do documentário, não poderíamos deixar de elogiar a sua qualidade técnica e artística. A linguagem, recursos de montagem e edição, sonorização, fotografia, ator e trilha sonora se juntaram com harmonia e qualidade indiscutível.

Confira a seguir o bate papo do Portal do Tiro com Lion Andreassa:

 

Portal do Tiro: Quais fatores despertaram o interesse e o motivaram para a criação desse projeto?

A realidade atual do Brasil. A realidade de que desarmaram as pessoas dizendo que isso ia salvar vidas, sendo que é exatamente o contrário que vemos acontecer hoje. Como produtor e diretor de cinema me senti na obrigação de mostrar a realidade às pessoas.

 

Portal do Tiro: Podemos considerar que o documentário DESARMADOS tem uma visão mais conservadora ou de direita, seguindo uma tendência que temos percebido nas redes sociais e mesmo de outros documentários que foram lançados recentemente?

De forma alguma! DESARMADOS não segue corrente política alguma de pensamento, pois ele se baseia unicamente em números e fatos. O foco do documentário não são as armas, mas a vida, direitos e democracia. Tanto isso é verdade que não importa se a pessoa é de direita, centro ou esquerda. Não importa se é palmeirense, carioca ou não gosta de café. Não importa se é rico, pobre, ateu, homem ou mulher. O fato é que o governo desarmou a população e não desarmou o criminoso e, agora, todos nós somos reféns das pessoas que querem fazer o mal. É um documentário que mostra que o governo não respeita os nossos direitos e não cumpre com a sua obrigação. Essa é a linha de condução do documentário - a realidade - e não esta ou aquela corrente de pensamento.

 

Portal do Tiro: Muitos acham que o controle das armas de fogo é a solução para os graves problemas da sociedade e, de certa forma, os meios de comunicação fundamentam esse tipo de opinião. Qual foi o diferencial do seu projeto com relação a essa exposição dos fatos?

Não existe uma fórmula mágica para resolver a questão da violência no Brasil. É preciso que se ataque várias frente simultaneamente. É preciso investir nas polícias, melhorar nossas leis, agilizar a justiça, investir em educação, dar condições para que as famílias possam ficar melhor estruturadas, combater a criminalidade com firmeza, fazer campanhas para que as pessoas entendam que bandido não é vítima da sociedade e que policial não é vilão, gerar empregos e várias outras coisas. O porte de arma para as pessoas com condições para tal é apenas mais uma dessas ações. O porte, isoladamente, pode gerar uma certa proteção individual, mas somente ele por si só não irá acabar com a criminalidade.

 

Portal do Tiro: Com limitação de recursos tecnológicos, quais foram os equipamentos utilizados nas filmagens externas em São Paulo e viagem?

Na verdade, não tivemos limitações em termos de equipamento. Utilizamos equipamentos de ponta para produzir o documentário. Tivemos, sim, limitações em relação à equipe. Trabalhamos de forma muito enxuta e tivemos que acumular tarefas. Mas já estamos acostumados a isso no Brasil. (risos)

 

Portal do Tiro: Quando se fala em sistema para financiamento de cinema e TV, vem na cabeça da maioria a Lei Rouanet. Mas o documentário DESARMADOS foi produzido por uma plataforma de crowdfunding (financiamento coletivo). Acha que o sistema de financiamento por leis de incentivo pode perder espaço no mercado audiovisual no futuro?

Nunca, jamais! É impossível levantar, por exemplo, um valor de R$ 1 milhão através do crowdfunding no Brasil. E, por incrível que pareça, esse não é um valor baixíssimo para se fazer filmes e distribuí-los pelo Brasil.
Na verdade, essa é uma questão bem complexa, tanto que tenho visto muitos exageros da parte de quem ama as leis de incentivo como da parte de quem condena. Em sumo, as leis de incentivo não são ruins. Elas geram emprego. O bom uso delas faz com que o dinheiro do imposto não seja desviado para as malas alheias de dinheiro e permite ao patrocinador acompanhar de perto o resultado de seu imposto – resultado que não se enxerga quando o valor é recolhido para o governo. O problema é quando superfaturam os projetos, quando entregam produtos culturais de baixa ou nenhuma qualidade, quando fazem projetos que em nada agrega ao crescimento do país. Quando me perguntam essa questão, eu sempre devolvo outra: O que você prefere, pagar imposto de renda para o leão ou utilizar essa verba para profissionalizar crianças da periferia? Eu prefiro a segunda opção. O problema é quando você diz que vai realizar o projeto, mas no lugar disso acaba comprando um carro zero com dinheiro público. A arma pode te salvar ou pode te matar – depende da mão em que ela está.
É uma questão complexa. O ideal seria adotar o modelo norteamericano onde investidores financiam um projeto e colhem seus dividendos. Estamos séculos atrás deles e com toda essa pirataria no país, os rendimentos raramente aparecem.

 

Portal do Tiro: Antes de optar pela plataforma crowdfunding, houve algum indício de que o processo de financiamento de filmes poderia realmente dar errado?

A princípio pensarmos em aprovar o projeto junto a alguma lei de incentivo. Não teríamos o menor problema ou censura junto aos órgãos aprovadores. O problema seria conseguir o patrocínio. Qual empresa gostaria de vincular sua marca a um documentário que aborda um tema que ainda é um tabu no Brasil? Somente empresas da indústria armamentista e isso eu não queria para não perder a liberdade intelectual. Por exclusão, a saída foi o crowdfunding e investimentos pessoais que fiz no projeto por conta e risco mesmo. Nunca pensei que pudesse dar errado. Pensei em cumprir a meta que era produzir o documentário. Deu certo.

 

Portal do Tiro: O documentário já está disponível para locação no NET NOW, NOW Online, catálogo do Youtube e futuramente em plataformas pagas como o Google Play e a Netflix. O que você pensa sobre a viralização de conteúdos na Internet, como por exemplo, fez o Diretor José Padilha em Tropa de Elite 1?

A verdade é que o Padilha perdeu muito dinheiro com a pirataria. Imagina se ele tivesse colocado dinheiro do bolso, então, como eu fiz. Os vários anos em que ele trabalhou no Tropa foram remunerados por financiamento oriundo de leis de incentivo e olha que trabalho sensacional que ele nos entregou! O Tropa é um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos e certamente o dinheiro de imposto que ele recebeu foi muitas vezes devolvido ao Estado pela venda de ingressos, venda de pipoca e refrigerantes, empregos diretos e indiretos que ele gerou, etc – essas coisas ninguém vê – ele é um cara honesto que soube aplicar bem o dinheiro público. Em relação à distribuição pelos “Estúdios Pirata”, o Padilha deu muita sorte do filme ter viralizado tanto. Isso fez com que as pessoas quisessem ver o filme nas telonas. Não dá para dizer que isso um dia vai se repetir, muito menos com um documentário como o meu – são produtos diferentes – O Tropa foi entretenimento, o DESARMADOS é informação.

 

Portal do Tiro: Se confirmado o Estatuto do Desarmamento, o que mais poderia ser feito, além de projetos como o seu, para que a cultura de boa parte dos brasileiros seja impactada e transformada?

Como disse um dos depoentes, o Brasil perdeu a cultura das armas e até reavê-la demorará um tempo. Acredito que seja importante que se façam campanhas para conscientizar a população. A cultura só muda com o tempo, com a informação, com a educação. O documentário Desarmados é um primeiro passo, mas não pode parar por aí. É preciso que as próprias pessoas engajadas hoje nessa mudança, uma vez alterada a lei, façam esse trabalho de educação.

 

CAMPANHA NAS REDES SOCIAIS


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TRAILER

 

Por Portal do Tiro

 


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